Adolescência

Albertina Duarte Takiuti traz sua experiência para o Iamspe

Responsável pela mudança revolucionária na forma de lidar com a gravidez e o sexo na adolescência no Brasil, a Coordenadora do Programa Estadual de Saúde ao Adolescente e professora de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clínicas de São Paulo, a médica Albertina Duarte Takiuti está trazendo sua experiência para o Iamspe.

A especialista está à frente do projeto piloto desenhado para os adolescentes filhos de servidores públicos estaduais que será implantado em março no Hospital do Servidor Público Estadual e inclui ações de  prevenção à gravidez na adolescência.  

“Temos 130 mil adolescentes no Iamspe. Nosso objetivo é desenvolver aqui iniciativas de sucesso que possam ser ampliadas para outros lugares’’, afirmou Wilson Pollara, superintendente do Instituto.

Ele enfatizou a relevância do trabalho da médica que já treinou 12.500 profissionais em 562 dos 645 municípios do Estado e cujas ideias e ações contribuíram nos últimos 10 anos para reduzir em 50,6% os índices de gravidez em adolescentes entre 10 e 19 anos e 46% entre 10 e 14 anos no Estado de São Paulo.  

Potencial do Iamspe

Entusiasmada com o potencial do corpo clínico do Iamspe, Albertina Duarte esteve no Instituto nesta segunda-feira, dia 25 de fevereiro, e ressaltou a importância da atuação de profissionais como a diretora do HSPE, Katia Antunes, do diretor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Reginaldo Guedes C.Lopes, da diretora do Cedep, Maria Ângela de Souza e da naturológa Andrea De Callis.  

A médica diz que a grande responsabilidade é criar um lugar de acolhimento, com rodas de conversas nas quais os profissionais do Instituto contribuirão para mudar o papel de jovens mães e pais na sociedade. “É preciso acolher e cuidar da menina que engravida. E o menino que não tem a consciência de que será pai. ’’

Segundo Albertina, 70% das meninas são abandonadas pelos parceiros durante a gestação. Outras 20% após terem o bebê. Aproximadamente 40% das adolescentes voltam a engravidar no espaço de dois anos.

 A médica destaca o custo social da gravidez nesta etapa da vida para o País. “A criança que não está na escola perde a oportunidade e, na maioria das vezes, não volta a estudar. Isso acontece em todas as classes sociais.’’

Síndrome de Down

Albertina também enfatizou que o custo do Brasil com a mortalidade infantil decorrente da gravidez precoce chega a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nos País, que registra, em média, 228 mortes por ano.

Outro dado interessante é que a incidência de crianças nascidas com Sindrome de Down é maior entre as mães adolescentes entre 10 e 14 anos do que em mulheres que são mães após os 45 anos.