Desenvolvimento infantil

Uso indiscriminado de telas do computador afeta desenvolvimento infantil

A explosão no uso das redes sociais e jogos durante a pandemia apenas amplificou uma situação que já existia. Na busca de vínculos sociais para além do círculo familiar, jovens permanecem cada vez mais na frente das telas do computador ou celular, seguidos de adultos de variadas idades.  

“Os jogos e as redes sociais têm como finalidade o divertimento. Por mais que alguns se proponham a ser educativos, nenhum deles equivale à presença humana, que tem a função de cuidar, prover afeto e dar limites”, afirma a psicóloga Gigliana Lima, do Serviço de Psicologia do Iamspe.   

A profissional observa que durante a infância, desenvolvem-se várias habilidades que serão fundamentais para a construção dos comportamentos futuros. Aprende-se a tolerar pequenas frustrações e lidar com o não. Adquire-se acervo motor que nos possibilitará fazer atividades prazerosas como dança e outras. Aprendem-se regras de socialização e sociabilidade, que estarão na base das nossas relações pessoais, familiares e sociais. “Fato é que nenhuma destas habilidades é construída na frente de uma tela”, destaca Gigliana.  

As redes sociais são construídas para prender o usuário que consome o conteúdo e, ao mesmo tempo, os comerciais que geram lucro para o provedor. Os jogos incentivam quem brinca a buscar continuamente recompensas para o cérebro. Luzes e brilhos na tela são uma ideia sutil de evolução do jogo.  

“O problema não é o uso em si, mas o tempo de uso e a idade em que se usa. Quanto mais jovens, mais precisamos de experiências sociais, sensoriais e motoras que vão fornecer elementos para desenvolver outras habilidades mais complexas no futuro. O tempo gasto com telas pode tranquilizar a criança, mas é um tempo perdido para seu desenvolvimento”, explica a psicóloga.   

Para Gigliana quanto mais se puder adiar o uso de telas, melhor para o desenvolvimento infantil. Até dois anos de idade, não se recomenda uso de telas (celulares, tablets, computador). A partir dessa idade, até os cinco anos, a Sociedade Americana de Pediatria recomenda até uma hora de uso diário.  

Ao contar uma história para a criança, ela pode imaginar os personagens, roupas, cenários etc. No vídeo, esses elementos já estão prontos. Ao brincar com os colegas, desenvolvem-se vínculos, regras, limites, e a comunicação. No jogo on-line, sem supervisão, isso não acontece. O que se observa são adolescentes e pré-adolescentes gritando, xingando e buscando vencer com habilidades que não são claramente transponíveis para o mundo real.