Mochila peso

Ortopedista do Iamspe orienta sobre uso de mochila escolar e hábitos posturais das crianças

Limite máximo suportado é de 10% do peso do corpo, alerta especialista

Escolher a melhor mochila e descobrir o peso máximo de cadernos e livros que as crianças podem carregar sem prejudicar a coluna são temas recorrentes na temporada de volta às aulas.

Para a ortopedista infantil do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) Monica Paschoal Nogueira, a recomendação de todo profissional de saúde é que as escolas tenham armários para evitar que os alunos carreguem os materiais todos os dias.

Na impossibilidade dos armários, a indicação da médica é escolher mochilas com rodinhas, que facilitam o transporte.  A altura da haste para carregá-la deve ser observada, e ajustada à altura de cada criança. Porém, se a escola tiver escadas, o aluno fará esforço para subir do mesmo jeito e esse tipo de mochila deixa de ser a ideal.
 
Se a opção for mochila sem rodas, é importante que o equipamento seja leve. Quando estiver vazia, não deve pesar mais que meio quilo. O ideal é que seja de duas tiras, pois as que possuem tira única para o ombro não distribuem o peso uniformemente, o que pode causar problemas de postura.

É preciso destacar que a mochila nunca deve ser carregada de um lado só. O correto é que as duas alças sejam colocadas nos ombros, na parte das costas. 
Segundo a médica, o estudante deve tensionar as tiras para que a mochila fique bem junto ao corpo e aproximadamente a cinco centímetros acima da linha da cintura. As alças devem ser acolchoadas, reguláveis e com largura mínima de quatro centímetros na altura dos ombros. “Tiras estreitas podem causar compressão nos ombros e restringir a circulação. É interessante também concentrar os objetos mais pesados no centro da mochila e mais próximos das costas”, observa.

“O máximo suportado pelo corpo é de 10% do seu peso, ou seja, para uma criança de 30 quilos, o limite é 3 quilos, mas as crianças costumam exagerar”, explica a especialista. Quando o peso ultrapassa essa medida, há o risco de entorses pelo excesso de esforço dos músculos da coluna, além de dores, que podem ser causadas por alterações posturais. “A criança tende a levar o pescoço para frente e manter o tronco inclinado”, afirma.

Pesquisa publicada em 2012 pela Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício mostrou que 45% dos alunos da rede pública e privada de Santa Catarina carregavam peso acima do suportado.

A dra. Monica diz que, embora não exista no Brasil trabalho conclusivo da relação direta do peso com distúrbios de alinhamento da coluna, a percepção dos profissionais que atendem em consultório e ambulatório é de que as queixas de dor aumentam em crianças que carregam cargas acima do tolerado.

A especialista ainda alerta para maus hábitos que comprometem a estrutura da coluna de crianças e causam dor. “Sentar curvado sobre a carteira escolar ou sentar na lombar, durante longos períodos, aumenta as chances de estruturação desses vícios posturais pelo tempo que o corpo se mantém na posição.”